22 de julho, 2024

O desfile de bom gosto de Rita Lee com Build Up

O sucesso não era novidade para Rita Lee. Em 1970, a roqueira brasileira já acumulava três discos com Os Mutantes e inúmeras apresentações em todo o Brasil – além das apresentações na TV que mostraram “a cara” da banda para quem quisesse ver. Então, o que motivou a cantora a gravar um disco solo, afinal de contas? A resposta é simples: estresse interno no grupo e relações abaladas.

Mesmo assim, Build Up  contou com várias parcerias de seu companheiro de Mutantes (e então esposo) Arnaldo Baptista e diversas participações especiais dos próprios Mutantes e do guitarrista  Lanny Gordin. Lanny, aliás, só participou, pois Sérgio Dias, irmão de Arnaldo e guitarrista dos Mutantes, se recusou a gravar o disco.

Se as coisas andavam mal entre os Mutantes antes deste disco, o panorama mudou completamente e a paz voltou. Ou seja, a separação dos Mutantes foi “cancelada”, por assim dizer – e por isso Arnaldo esteve envolvido neste disco de estreia de Rita.

O disco nasceu para servir como base para o Build Up Eletronic Fashion Show, basicamente um espetáculo que mesclava música, teatro e moda criado pela empresa Rhodia visando a 13ª Feira Nacional da Indústria Têxtil.  

Aliás, o disco foi muito bem mesmo com destaque para:

José (repaginando a versão de Nara Leão para Joseph, criada pelo compositor egípcio/francês Georges Moustaki)

O abre-alas Sucesso, Aqui Vou Eu, que inaugura o disco com ares de um verdadeiro standart de pop/jazz

O espetacular tango Prisioneira do Amor

  A versão impecável e improvável para  And I Love Her, dos Beatles.  

  A ideia de André Midani, presidente da gravadora Polygram, era que este disco distanciasse Rita da psicodelia dos Mutantes e dos experimentalismos da tropicália, mas tanto a presença de Arnaldo quanto do produtor Manoel Barenbeim e do maestro Rogério Duprat responsáveis pelo movimento brasileiro em questão, trouxeram Rita para o mundo que ela estava habituada a cantar e tocar.

Este é um disco pouco falando, mas que vale a pena ouvir. Duvida? Escute então Macarrão com Linguiça e Pimentão e descubra se estou errado.

Aroldo Antonio Glomb Junior é jornalista e Athletica

Sobre o colunista

Aroldo Glomb

Jornalista formado. Podcaster. Conhecido no meio da música como “Dr. Rock”.

Compartilhe

outros conteúdos

Who Do We Think We Are, a brilhante e desconhecida despedida da MKII do Deep Purple
Precisamos falar sobre Hot Space, do Queen, não é mesmo?
Mike Oldfield, com 19 anos, desbancou todo mundo em 1973 com Tubular Bells
Vale a pena ouvir Exercices (1972), do Nazareth?
Lay Down, Stay Down: uma história de desejo sob a ótica do Deep Purple
Vinil, CD ou Streaming: é a desordem que atrapalha a felicidade musical