13 de julho, 2024

Os anos 70 salvaram o “fim de feira” do que vivia o rock no final dos anos 60

Não é segredo que o rock vai se moldando com o passar do tempo, mas tivemos um momento da história recente que uma repaginação foi necessária. Quando a década de 70 chegou, havia uma certa desconfiança. Muita coisa mudou no rock e o impacto foi sentido tanto pela indústria quanto pelo público:

Sente o drama:

  • The Beatles já eram história
  • Woodstock e Altamont Speedway Free Festival fecharam a era dos grandes festivais, sendo que o segundo, que era basicamente um show dos Rolling Stones com diversas artistas, novidades e os Hells Angels como “segurança” foi uma tragédia total. Tem ali uma foto pra você ver…
  • Hendrix, Morrison, Joplin… a lista de ícones falecidos era encabeçada por estes três nomes
  • Cream, um super trio, tinha acabado de vez

Seria o fim do rock? Ou mais uma barreira apenas? Pessoal, os anos 70 tinham tudo para começar frio e seguir congelando ao longo dos anos, mas algo aconteceu e por isso essa foi uma década incrível para o rock e, como não, para o mundo da música pop.

Podemos começar com a santíssima trindade do rock pesado: Led Zeppelin, Deep Puple e Led Zeppelin! Foi o surgimento (ok, tinha aparecido um pouco antes) e consolidação do hard rock e heavy metal. O declínio do som hippie, da paz e do amor, arrebentou as portas para gêneros guiados por guitarras distorcidas, baterias pesadas, vocal bem potentes, forte pegada em temas sobre sexo, porradaria, drogas, bebedeiras e rebeldia como nunca havia acontecido.

Da trindade, o Led Zeppelin misturou rock com blues, folk e música celta e da selvageria nas estradas, enquanto Black Sabbath ganhou notoriedade com um som pesado, afinações mais baixas e riffs e mais riffs soterrando os ouvidos de quem comprava seus discos. O Deep Purple? Ora, essa era da “banda do teclado”, do hammond envenenado, que passou a ocupar lugar de destaque ao lao da guitarra – sem falar que misturava elementos de música clássica, um Bach com guitarra, solos ensurdecedores e jams intermináveis.

Aliás, falamos sobre essas três bandas no Antigas Novidades:

Do outro lado da moeda veio o rock progressivo! Era rock nada convencional, com música clássica (ELP), jazz (King Crimson), música eletrônica (Kraftwerk) e outros elementos diferentes incorporados ao som. O mundo conhecia músicas longas, complexas e conceituais pensadas em falar sobre temas filosóficos, questões sociais ou fantasiosas.

Sim, o Pink Floyd criou álbuns lendários como The Dark Side of the Moon, Whish You Were Here, entre outros. Embora frequentemente associados ao rock psicodélico, o que considero mais acertado, eles também tiveram um papel notável no rock progressivo E temos gigantes como Yes e Genesis que, ai, sim, criaram carreiras dignas com discos avassaladores, consolidando este gênero. Isso que tem ainda bandas como Gentle Giant e Van der Graaf Generator, e mais um universo inteiro!

E todos aqui foram loooonge demais e que ótimo que foi assim!

Quer mais exemplos sonoros duradouros dos anos 70? Escute glam rock, estilo focado na estética, na moda, no exagero, nas encenações sobre o palco e no glitter para emoldurar o som animado e pesado. Mark Bolan, David Bowie, Elton John… a lista é sem fim!

David Bowie, por exemplo, criou vários personagens e alter egos, sendo os mais famosos Ziggy Stardust, Aladdin Sane e Thin White Duke. Exagero no som, no visual e na qualidade!

Quer mais?

  • O Queen ABUSOU da mistura experimental de rock com ópera, gospel e funk.
  • O sul dos Estados Unidos trouxeram o southern rock, com muito peso, guitarras incríveis e o som calcado em muito blues e, principalmente, no country. Lynyrd Skynyrd mandou lembranças
  • O punk trouxe o rock para o básico de novo, com Ramones e companhia e o som agressivo e mais, digamos, artesanal. Do it yourself!

Bem, teve muito mais, mas aqui está o principal, os estilos que transforaram o mundo da música e não deixaram que o fim dos anos 60 sepultassem o rock. O que veio nos anos 70 foi, inacreditavelmente, espetacular.

Aroldo Antonio Glomb Junior é jornalista e Athleticano

Sobre o colunista

Aroldo Glomb

Jornalista formado. Podcaster. Conhecido no meio da música como “Dr. Rock”.

Compartilhe

outros conteúdos

Who Do We Think We Are, a brilhante e desconhecida despedida da MKII do Deep Purple
Precisamos falar sobre Hot Space, do Queen, não é mesmo?
Mike Oldfield, com 19 anos, desbancou todo mundo em 1973 com Tubular Bells
Vale a pena ouvir Exercices (1972), do Nazareth?
Lay Down, Stay Down: uma história de desejo sob a ótica do Deep Purple
Vinil, CD ou Streaming: é a desordem que atrapalha a felicidade musical