12 de julho, 2024

O que justifica a popularidade de figuras como Pablo Marçal e outros “coaches”?

Por Francisco Tramujas

A popularidade de figuras como Pablo Marçal e outros “coaches” que são considerados falastrões pode ser atribuída a vários fatores complexos. Já comecei a escrever artigos sobre o tema inúmeras vezes, mas por não levar muito a sério muitas dessas personalidades, acabei desistindo de seguir adiante com o texto.

O que me fez voltar atrás e retomar o tema foi a conversa que tive com o amigo de duas décadas Ediney Giordani. Além da longa amizade, apesar das nossas diferenças, há um bom caminho para evoluir como pessoa e profissional quando ouvimos as diferentes opiniões.

Giordani me alertou para um ponto: por mais que eu não levasse a sério os coaches populares, estes continuavam atraindo inúmeros seguidores e também muitos clientes para seus contestáveis negócios.

De fato, neste argumento, o amigo Giordani ganhou minha atenção para me aprofundar sobre como e porquê esses coaches figurões têm sucesso em atrair legiões de fãs, incluindo empresários(as) e profissionais que admiro e com quem trabalhei.

Algumas razões para o sucesso desses coaches na minha visão podem estar nos seguintes pontos:

  1. Marketing eficaz: Esses indivíduos muitas vezes possuem habilidades de marketing altamente desenvolvidas. Eles sabem como promover sua imagem e atrair seguidores usando estratégias de marketing digital, redes sociais e outros meios de comunicação.
  2. Carisma pessoal: Alguns falastrões têm uma habilidade natural para cativar as pessoas. Seja através de uma comunicação persuasiva, carisma ou presença, eles conseguem atrair seguidores que podem ser influenciados por sua personalidade. No caso do Marçal, a fala interiorana somada à fala aparentemente humilde cria uma grande sinergia pela forma como ele se comunica.
  3. Promessas atraentes: Esses coaches muitas vezes fazem promessas atraentes de sucesso, felicidade e realização pessoal. As pessoas podem ser atraídas por soluções rápidas e fáceis para seus problemas, mesmo que essas promessas sejam exageradas ou infundadas.
  4. Falta de discernimento do público: Algumas pessoas podem não ter as habilidades críticas necessárias para avaliar a legitimidade das alegações feitas por esses coaches. A falta de educação em habilidades de pensamento crítico pode levar as pessoas a aceitar informações sem questionar.
  5. Desejo de mudança: Muitas vezes, as pessoas estão em busca de mudanças positivas em suas vidas, e esses coaches oferecem uma narrativa que promete transformação rápida e eficaz.
  6. Sociedade de autoajuda: Vivemos em uma sociedade que valoriza a autoajuda e o desenvolvimento pessoal. Isso cria um ambiente propício para a ascensão de figuras que afirmam ter as respostas para melhorar a vida das pessoas.
  7. Conexão emocional: Esses coaches muitas vezes criam uma conexão emocional com seu público, seja através de histórias pessoais ou mensagens motivacionais, o que pode fazer com que as pessoas se sintam mais inclinadas a segui-los.

Nos sete tópicos, é possível entender como separado em duas etapas que podem qualificar um coach, as três primeiras (1, 2 e 3) estão diretamente ligadas às habilidades do próprio profissional, enquanto as quatro seguintes (4, 5, 6 e 7) a conexão desses profissionais acontece com o momento em que está o seu público-alvo.

Então, de fato, tais profissionais têm grande mérito no que fazem, mesmo que eu possa discordar, mas é importante que as pessoas desenvolvam habilidades críticas de pensamento, pesquisem a fundo antes de seguir ou contratar um coach e estejam cientes dos riscos associados a figuras que prometem resultados extraordinários sem evidências substanciais.

 

 

 

Sobre o colunista

Francisco Tramujas

Especialista em Planejamento estratégico com foco nas seis áreas da Gestão (Estratégia, Financeiro, Pessoas, Comercial e Marketing, Processos e Projetos).

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