19 de junho, 2024

Quem é o “tolo pela cidade” do Foghat?

Fool for the City é o quinto álbum de estúdio da banda de rock inglesa Foghat, lançado em 15 de setembro de 1975. A banda estava no estúdio com a seguinte formação:

 

  • Lonesome Dave Peverett – vocal principal e guitarra rítmica
  • Rod “The Bottle” Price – guitarra solo e acústica, slide guitar, guitarra principal e voz
  • Roger Earl – bateria e percussão
  • Nick Jameson – baixo, teclado, guitarra, voz, produtor e engenheiro

Nem preciso dizer que a canção “Slow Ride” foi – e é até hoje – o maior sucesso da banda, que alavancou o disco como o primeiro deles a ganhar disco de platina. Foi também o primeiro álbum que a banda gravou após a saída do baixista original Tony Stevens.

Detalhe: foi o produtor Nick Jameson o baixista do disco, e teclado também! Ele ajudou a compor a faixa de encerramento, “Take It or Leave It”, com Dave Peverett.

Mesmo aparecendo na fotografia na contracapa do álbum, Jameson não tocou ao vivo com o Foghat já que Craig MacGregor assumiu as quatro cordas após o lançamento e foi uma banda para a estrada!

Mas vamos focar na canção que abre o disco. Aliás, vale destacar que sempre gosto muito de canções que abrem discos – geralmente as melhores ou mais significativas.

A letra de “Fool For The City” fala da vontade do cantor de sair do campo e embarcar em uma nova aventura na cidade.

  • Indo para a cidade, tenho você em mente, o campo com certeza é bonito, vou deixar tudo para trás!

É a famosa inquietação que muitos sentimos quando desejamos algo além do nosso espaço, nosso comodismo que deve ser combatido de qualquer maneira. A letra versa sobre uma decisão de regressar à cidade e cair com tudo no estilo de vida urbano, abandonando a tranquilidade do interior.

  • Sou um tolo pela cidade, um tolo pela cidade.

Refrão repete um monte, tal qual um mantra, como que tentando se convencer de que a ideia é a melhor e não pode ter recaídas. Repete muito, como um desejo de mudança amplificado pela determinação de deixar a vida pacata e segura para trás.

Enquanto isso, o som é forte, robusto, com um ar blues em passagens mais curtinhas. Tem até um solo de guitarra que fez bem o dever de casa que o Led Zeppelin mostrou – solo é Jimmy Page no talo.

Voltando para a letra, temos algumas imagens criadas bem interessantes, misturando um “peixe fora d’água” com um “homem com saudades de casa”, metáforas fortes sobre os sentimentos de estar incomodado em um primeiro momento, bem deslocado no ambiente, precisando se mover rápido para um novo começo.

Era o desejo de trocar o familiar “country boy” pela emoção, pela aventura, pelo desconhecido, mas excitante destino da cidade de pedra.

  • As luzes da cidade transformam meu blues em ouro

O cara está otimista e pronto para deixar para trás a vida no campo e bem animado com um futuro melhor, que o interior nunca vai lhe fornecer – apesar de ser mais tranquilo, qualidade de vida, e essas coisas aí…

  • Estou cansado de ficar deitado, vagando por aí

Aqui a mudança e a agitação das luzes da cidade se fazem urgentes. Convenhamos que deixar o som de vacas pela energia contagiante, culturas diversas e oportunidades quase que intermináveis é atraente demais para um jovem do interior.

  • Vou descer na rua principal, entrar no meio da multidão, calçada sob meus pés, sim, o trânsito está bom e barulhento.

Aqui a transição está feita. Bingo! Mas o refrão “Sou um tolo pela cidade” segue firme e forte, mantra total, declaração de libertação das restrições de uma vida que estava parada no tempo, uma desesperadora estagnação.

Uma canção que abre e dá nome ao disco, o disco com uma história de inquietação, um chamado rejuvenescedor, aquele desejo de fazer qualquer coisa sem limites.

Um hino forte para quem não para quieto.

Olha que bacana: em 2016, o Neighborhood Preservation Center e a St. Mark’s Church In-the-Bowery celebraram o 41º aniversário do álbum ‘Fool for the City’ de Foghat e convidaram Roger Earl para recriar a capa (que ele aceitou de bom grado, pois adora festas). Eles foram no local da foto tirada da capa em 1975, na East 11th Street, em Nova York!

Aroldo Antonio Glomb Junior é athleticano e jornalista.

Sobre o colunista

Aroldo Glomb

Jornalista formado. Podcaster. Conhecido no meio da música como “Dr. Rock”.

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