19 de junho, 2024

Vinil, CD ou Streaming: é a desordem que atrapalha a felicidade musical

Quantos discos um colecionador precisa ter? Quantos CDs são suficientes para serem ouvidos poucas vezes e permanecerem pegando poeira na estante até nossa morte ou esperando que um dia seja ouvido?

Pois é. Esta é a grande pergunta que a maioria dos amantes da música se borra nas calças para responder e o que mais escuto são as frases mais modestas do mundo:

“Nunca se pode ter discos demais”.
“Eu quero sempre ter esses discos para quando quiser ouvir”
“Nada substitui o prazer de ouvir segundo uma capa”

Tarado por Vinil, qualquer ano.

São várias respostas, e eu até simpatizo com muitas delas. No entanto, nenhum de nós deseja se tornar um colecionador compulsivo, mas acontece que as coleções que tanto amamos e prezamos parecem ter vontade própria. Elas crescem, se expandem, peça por peça, até um momento em que alguém tem 40 cópias de um mesmo disco.

Escrevo isso tudo sob a notícia de que o Black Sabbath anunciou o relançamento dos discos da era Tony Martin. Com uma ÚNICA MÚSICA extra e um pôster. Caramba, pera aí! Tenho isso em vinil ou CD, então por qual motivo vou torrar minha grana nisso? Sim, esse foi o motivo deste texto gigante que espero que você leia até o final.

Vamos lá: tenho que ter tantas peças musicais iguais? Vou ouvir todas ao mesmo tempo? Ou em sequência por uma semana inteira, com a cortina fechada? Precisa disso, cara pálida?

Por mais que eu reorganize minha coleção, eu simplesmente não conseguia encaixar as novidades que comprava – algumas coisas, aliás, adquiria sem precisar.

– Comprava pelo medo de perder algum disco, principalmente raridades artificiais. Mas que medo é esse?
– Cairia uma perna se não tivesse tal disco?
– Meus amigos deixariam de falar comigo por não ter uma cópia original do Álbum Branco dos Beatles?

Foi então que criei um mantra minimalista: na coleção, menos é mais. Sim, muita coisa não é coleção, é acumulação. Mudei o modo como encaro mídia física, de uma vez, e me sinto bem com isso. Eu me permiti desfrutar de uma discoteca (ou CDteca) composta por coisas que eu gosto de ouvir.

Pelo menos era isso que eu achava…

Minha coleção ainda cresce – bem menos que agora, claro – e aquela alegria, aquela felicidade que havia experimentado em chegar em casa para ouvir um disco que acabei de comprar, estava diminuindo. Olha, comigo nunca aconteceu, mas sei de pessoas que sentem ansiedade e frustração a cada nova compra. Quer dizer, eu senti isso, sim, em alguns momentos, devo confessar.

Então veio o streaming, que me distraiu da desordem física. Não me desfiz do que tinha, mas percebi que nem tudo estava perdido. Imediatamente, lotei minha “biblioteca virtual” de músicas digitais que, confesso, foram bem agradáveis ​​quando ouvia, mas nem de perto tinham um impacto memorável nos dias que se seguiram.

Foi bizarro. Do nada, percebi que estava em uma encruzilhada: estava eu simplesmente viciado em colecionar novidades do meu passatempo ou realmente era necessário me entupir de coisas, mesmo online?

Não, amigos e amigas, não era apenas a biblioteca física que estava atrapalhando minhas audições, mas a digital que estava em constante expansão também. A desordem digital está acontecendo agora e provavelmente vai seguir por muito tempo – ainda mais quando as plataformas “empurram” coisas para você ouvir. Esse pepino é pior, pois é uma baderna invisível.

Conclusão: é a desordem que atrapalha a felicidade musical! CD, vinil ou streaming, tanto faz!

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Eu mesmo já comprei várias cópias de um mesmo álbum, em diferentes formatos, o que não faz sentido se analisarmos. Somente algumas coisas com masterização realmente diferentes fazem a diferença, pois de resto, as mudanças são mínimas e altamente subjetivos, dependendo, talvez, do equipamento usado.

Ok, as masterizações mudam muito, mas ter várias versões da mesma coisa fornece para nossos ouvidos um efeito placebo. As comparações que eu fazia estariam amplificando fatores psicológicos ou o quê? Uma guitarra mais alta no final de um CD edição 2024 vai mesmo estragar o meu dia?

Apesar de ter crescido com o Compact Disc e disco de vinil o formato maior sempre me agradou. O bolachão sempre reinava, mas não era nada prático, mas o CD, de modo geral, nunca teve um impacto real.

Vamos falar a verdade? O streaming, especialmente com qualidade de CD, sem perdas, ajuda a eliminar essa estranha necessidade de manter verdadeiros contêineres de CD. Para que comprar um CD agora em que os preços estão na estratosfera, pois nem temos mais fábricas descendentes no Brasil? Tudo vem de fora com o preço salgadinho que dói no bolso.

Mais uma provocação: os colecionadores ficariam realmente satisfeitos em alugar música, a qual é a ideia do streaming, ao invés de possuir a mídia física? Minha resposta é: sim, principalmente agora quando o streaming, sem perdas, está agora ao nosso alcance.

Não vou me desfazer do que tenho agora, mas não compro tudo que aparece. O mais importante é poder ouvir e curtir a música que a gente mais gosta, pois é apenas isso que importa.

Aroldo Antonio Glomb Junior é jornalista e Athleticano!

Sobre o colunista

Aroldo Glomb

Jornalista formado. Podcaster. Conhecido no meio da música como “Dr. Rock”.

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